Trovadorismo

 

O Trovadorismo tem origem na região do sul da França, em que se destaca Provença. Foi a primeira escola literária em Língua Portuguesa, caracterizando-se por sua produção oral associada sempre à música. Nesse período a poesia não era recitada e sim cantada. O que temos nessa época não são poemas, mas cantigas.

Os textos dessa escola estão em galego-português (ou português arcaico), língua que era usada na Galiza, região do norte ibérico.

 

Baseia-se em três cancioneiros:

 

 - Cancioneiro da Ajuda (310 cantigas)

 - Cancioneiro da Vaticana (1205 cantigas)

- Cancioneiro da Biblioteca Nacional (1.647cantigas).

 

De acordo com o tratado poético encontrado no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, as cantigas do Trovadorismo são divididas em:

 Cantiga de Amor,

 Cantiga de Amigo (cantigas líricas),

 Cantiga de Escárnio e

 Cantiga de Mal-Dizer (cantigas satíricas).

 

 

Cantiga de Amor

 

É classificada como cantiga de amor porque a mulher assume o lugar do senhor feudal e o trovador o de servo. Apresenta um eu-lírico masculino (o que se percebe pelo emprego da forma "senhor" - senhora, em português arcaico - e da segunda pessoa do plural).

  Note a oposição entre "mal" e "Bem". Ela é resultado da criação dos trovadores que marcaram toda a nossa civilização: a associação do amor a fatos tão opostos - sofrimento e prazer.O trovador, nessa cantiga, faz com que a mulher deixe de ser apenas um objeto e passa também a ser uma divindade.

  

Senhor fremosa, pois me non queredes

creer a coita en que me ten amor,

por meu mal é que tan ben parecedes

e por meu mal vos filhei por senhor,

e por meu mal tan muito bem oí

dizer de vós, por meu mal vos vi

pois meu mal é quanto ben vós havedes.

 

E pois vos vós da coita nom nembrades,

nem do afan que m'amor faz prender,

por meu mal vivo mais ca vós cuidades

e por meu mal me fezo Deus nascer

e por meu mal non morrir u cuidei

como vos viss'e por meu mal fiquei

vivo, pois vós por meu mal ren non dades.

 

E dessa coita em que me vós teendes,

en que oj'eu vivo tan sem sabor,

que farei eu, pis mi'a vós non creedes?

Que farei eu, cativo pecador?

Que farei eu, vivendo sempre assi?

Que farei eu, que mal dia nasci?

Que farei eu, pois me vós non valedes?

 

E, pois que Deus non quer que me valhades,

Nem que queirades mia coita creer,

que farei eu, por Deus que mi'o digades?

Que farei eu, se logo non morrer?

Que farei eu, se mais a viver hei?

Que farei eu, que conselho non sei?

Que farei eu, que vós desamparades?

 

 

Cantiga de Amigo

 

Para identificar uma cantiga de amigo quem se lamenta é a mulher (eu-lírico feminino), que sente a falta de seu amado ("amigo"). Além disso, a cantiga estabelece elementos de paisagem.

 

 


Ondas do mar levado

se vistesmeu amado?

E ay Deus, se verrá cedo!

 

Se vistes meu amigo

o porque eu sospiro?

E ay Deus, se verrá cedo!

 

Se vistes meu amado

por que ey gran coydado?

E ay Deus, se verrá cedo!

 

Martim Codax

 

 

Cantiga de Escárnio

 

A principal identificação da cantiga de Escárnio é que ela possui duas histórias, uma explícita, clara e outra implícita, encoberta. Outras características são: a pessoa satirizada não é nomeada; o duplo sentido é um aspecto lingüístico importantíssimo na identificação de tal tipo de cantiga satírica.

 

Ua dona, non digu’eu qual,

non agoirou ogano mal

polas oitavas de Natal:

ia por sa missa oir

e ouv’un corvo carnaçal,

e non quis da casa sair.

 

A dona, mui de coraçon,

oíra as missa enton

e foi por oir o sarmon,

e vedes que lho foi partir

ouve sig’um corvo acaron

e non quis da casa sair.

 

A dona disse: - Que será?

E i o clérigu’está já

revestid’e maldizer-m’á

se me na igreja non vir.

E diss’o corvo: - Quá, acá,

e non quis da casa sair.

 

Nunca taes agoiros vi,

des aquel dia que nasci,

com’aquest’ano ouv’aqui;

e ela quis provar de s’ir

e ouv’um corvo sobre si,

e non quis da casa sair.

 

Joan Airas de Santiago

 

Cantiga de Mal-Dizer

 

A principal característica pode (ou não) citar o nome de sua vítima ou até empregar linguagem chula, vulgar.A sátira é direta.

 

Pero d'Armea, quando composestes

a vosso cuu, que tan ben parecesse

e lhi revol e concela posestes,

que donzela de parecer vencesse,

e sobrancelhas lhi fostes poer,

tod'est', amigo, soubestes perder

polos narizes que lhi non posestes.

 

Pero d'Ambroa